A era da gratificação instantânea: como o Pix transformou a psicologia do lazer no Brasil

Escrito por: Carla Leal, Revisora | Revisado por: Ricardo Crespo, Editor-chefe
Última atualização fev 06, 2026

Criado pelo Banco Central em 2020, o pix surgiu como um método de pagamento que iria revolucionar a maneira como os pagamentos eram feitos. Para usar o pix basicamente é necessário ter uma conta em um banco (físico ou digital), e criar uma chave que pode ser um número de telefone, email ou cpf. 

Tudo isso funcionando 24 horas por dia e tornando obsoleto métodos como o TED e o DOC, que podiam demorar até um dia para ser compensado. Deixou para trás os boletos, cujos pagamentos podiam demorar até 3 dias e os cartões de crédito com suas taxas abusivas.

O pix trouxe rapidez para efetuar um depósito. Ao mesmo tempo que reduziu custos e incentivou a inclusão financeira de milhões de pessoas. Seis anos depois, o Pix é o principal método de pagamento no Brasil. Segundo o Banco Central, é usado por cerca de 80% dos brasileiros que utilizam para pagar contas, compras presenciais e online.

Com isso o país se tornou uma referência mundial em pagamentos, com outros países construindo métodos inspirados no modelo nacional. O pix segue não só como uma inovação bancária, redefinindo a relação dos brasileiros com o tempo de espera e abrindo espaço para o imediatismo. 

Hoje, por exemplo, é possível comprar ingressos para cinema ou outro entretenimento qualquer hora do dia ou da noite, pagar uma academia ou até mesmo pagar um jogo online em segundos. Não há mais o tempo de espera e a fricção que existia antes do consumo, foi removida. O que há hoje é o pagar e consumir agora, o que se encaixou perfeitamente no consumo recreativo.

A psicologia do “frictionless” e o “mobile-first economy”

Frictionless é um termo que se refere ao processo que elimina obstáculos para o consumidor, tornando a compra mais rápida e eficiente. Para isso, remove-se burocracias que possam dificultar e implementa-se tecnologias que permitem o pagamento rápido e automático. 

Com isso aumenta-se a satisfação e a fidelização. Tirando a necessidade de digitar números de cartão ou aguardar compensação do boleto, o pix retirou a fricção que levava a pensar um pouco antes de finalizar a ação. Tirando a necessidade de digitar números de cartão ou aguardar compensação do boleto, o pix acelerou a finalização.  

Psicologicamente, a eliminação dessa fricção trouxe uma percepção sobre o esforço para conseguir algo: nesse processo, quanto menor é o efeito percebido maior será a probabilidade de surgir uma compra impulsiva. Com o cérebro emitindo sinais de euforia na aquisição, a sensação de recompensa se torna mais poderosa e viciante, mudando a forma como o lazer é consumido.

Para o cérebro, não se trata de gastar mais, mas de receber algo que merece. Tudo isso orientado por decisões imediatas. Essa sensação aumenta quando tudo é encontrado na palma da mão nos dispositivos móveis (mobile-first economy). O próprio pix nasceu dentro desse sistema em que quase tudo que se relaciona ao financeiro é acessado diretamente pelos celulares. Ao invés de deslocar-se a bancos ou outras instituições físicas para pagar contas, comprar assinaturas ou adquirir qualquer tipo de entretenimento através do aparelho se tornou mais conveniente. É o mundo tecnológico em que o dinheiro circula automaticamente de uma conta para outra. Exclui-se também a questão logística para o consumo. O lazer passa a ser aproveitado em pequenas doses e eventos ocasionais. Tudo a um toque.

O Brasil x o mundo: choque cultural e o futuro da conveniência

O Brasil está bem à frente de outros países. Estes ainda estão presos a sistemas antigos de pagamentos e que estão longe da praticidade do pix. Nesses lugares o modelo de pagamento ainda é baseado em bancos ou carteiras digitais, com o usuário dependendo de fases que o Brasil já ultrapassou há muito tempo. Enquanto o brasileiro está na era da praticidade, outros países ainda esperam a compensação.

Nos Estados Unidos, os mercados financeiros são modernos e estáveis, mas dependem de métodos que processam transferências em dias. Além disso, são comuns os cheques e os bancos implementam cada um suas soluções. Métodos mais tecnológicos como o FedNow, do Federal Reserve, possui pouca adesão, já que não tem a mesma padronização do pix para o Brasil. No país com a maior economia do mundo, há ainda uma fricção que impede o acesso instantâneos aos resultados.

A China possui um método de pagamento bem similar ao brasileiro: o Alipay e o WeChat Pay. Com eles, as transações são realizadas diretamente do celular através de um QR Code. Com isso pode-se pagar transporte, lazer e enviar dinheiro apenas com um click. A diferença para o sistema brasileiro é que na China o serviço é ofertado por empresas privadas. O país está desenvolvendo o yuan digital, que visa ser uma alternativa às plataformas.

Na Europa há o sistema SEPA instant, que facilita os pagamentos na zona do euro, mas não há uma uniformidade na adoção deste. Bancos podem cobrar taxas e oferecem resistência conforme o país. O problema aqui é integrar diversos sistemas bancários nacionais e deixá-los sob uma mesma regra. Isso leva tempo.

Ao contrário do Brasil, onde o Banco central impôs um padrão único e implementado como infraestrutura pública. Com isso, os bancos que tiveram que se adaptar ao modelo, aumentando a velocidade de adesão no país. Como resultado, temos usuários que recebem um método de pagamento mais prático e rápido do que de países mais ricos. O padrão aqui é instantâneo, quebrando barreiras burocráticas. Os clientes já se acostumaram a obter respostas imediatas. Qualquer coisa diferente disto, é lido como falha. Ao passo que outros países estão de olho para seguir nos próximos anos. 

Nesse mercado onde o imediatismo é regra, a conveniência se torna o padrão. O lazer é determinado pela fluidez, não apenas pelo conteúdo oferecido. Quanto menor a fricção, maior será o engajamento. Plataformas que apostam em meios tecnológicos saem na frente de outras. O pagamento com o pix se tornou parte da psicologia da venda. E no futuro espera-se que esses laços sejam mais apertados, prometendo uma integração maior do lazer à rotina.

Ao tornar norma a gratificação instantânea, o Brasil antecipou-se a uma tendência futura. Esse é um vislumbre sobre uma nova fase comportamental, baseada na liquidez e no usufruto imediatos do lazer e de outros produtos. Certamente um caminho sem volta.

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